Ao olhar o ceu
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"Quem presumir, Senhora, de louvar-vos"
Quem presumir, Senhora, de louvar-vos
Com humano saber, e não
divino,
Ficará de tamanha culpa dino
Quamanha ficais sendo em
contemplar-vos.
Não pretenda ninguém de louvor dar-vos,
Por mais que raro seja, e
peregrino:
Que vossa fermosura eu imagino
Que Deus a ele só quis
comparar-vos.
Ditosa esta alma vossa, que quisestes
Em posse pôr de prenda tão
subida,
Como, Senhora, foi a que me destes.
Melhor a guardarei que a própria vida;
Que, pois mercê tamanha me
fizestes,
De mim será jamais nunca esquecida.
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